Machismo na escalada?

Sempre defendi que na escalada em rocha, convivíamos num universo seguro para as mulheres. Seguro porque, quem e qualquer um, que esteja nos dando segurança, homem ou mulher, estará prestando atenção aos procedimentos de segurança e não na nossa roupa ou corpo.

Errei.

Sou praticante de esportes radicais desde pequena: esqui, montanhismo, escalada, assim como anos de prática de artes marciais, entre outros esportes. A motivação tem sido sempre a mesma: me superar e me divertir. Sempre evitei ser feminista, porque no meu universo convivem homens e mulheres com a mesma motivação, valores e respeito pelo ser humano.
Como menosprezar o gênero oposto? De machistas? De contribuir à cultura do estupro? (E tantas outras práticas desde um simples “deixa que eu monto teu rapel”, pela desconfiança de não acreditar que eu saiba faze-lo, por ser mulher, até “dei uma cadeirinha bem apertada pra mina, para que fique a bunda bem marcada para eu olhar”.)

Eu não poderia acusar ao gênero todo, porque, exemplos como meu filho, namorado, ex marido, ex namorado e tantos outros amigos homens jamais me deram sinal de falta de caráter em relação às mulheres.

Porém, a pouco tempo testemunhei situações que me fizeram refletir sobre minha condição de mulher no mato.

Você já vivenciou ou soube de experiências como estas?

1- O ano passado, um grupo de escaladores amigos, ofereceu carona para um deles em uma viagem, pedindo para não levar a namorada porque iriam somente homens, e “os papos entre homens são mais descontraídos”. O escalador que recebeu essa resposta, agradeceu a carona, mas que ficaria para uma próxima. Ele preferiu escalar em um ambiente onde não fosse necessário “atuar” de um jeito ou outro, dependendo do gênero presente. Não teve vergonha, nem faltou caráter para se afastar.
2- A pouco tempo, uma cordada de 3 mulheres escalando uma via tradicional coincidiu no rapel com uma cordada de homens. Um deles não permitiu à mulher mais experiente participar do procedimento de montagem do rapel, deixando bem claro a falta de confiança pelo fato de ser mulher. Ela se aproximou do procedimento e ficou observando, e diante do questionamento da presença, ela respondeu com calma que queria “ter a certeza que o rapel estivesse sendo montado corretamente”.

3- Um grupo de escaladores em um campo escola de escalada bem movimentado, aproveitando ausência de mulheres no setor, fizeram comentários depreciativos e brincadeira de mal gosto relativo a mulheres. Um deles não riu, não gostou e sem festejar à virilidade, se retirou.

O que fazer?
Escaladora

  • Não aceite calarem sua boca, educadamente levante sua voz e se certifique que sua escalada seja segura e divertida.
  • Peça respeitosamente que não valorizem seu corpo antes da sua segurança.
  • Não escale com aqueles que tiver dúvida que não a respeitarão como escaladora, seja qual for seu grau.
  • Pergunte se tiver dúvida, seja aos homens ou às mulheres. Não aceite cegamente só por escalar há pouco tempo, ou pouco grau.
  • Lembre que o principal é se divertir! (seja com mulher ou homem)

Escalador

  • Não tenha vergonha de enfrentar os “amigos” que faltam com respeito às mulheres ou qualquer um
  • Fale e pergunte para suas parceiras as mesmas coisas que falaria para um parceiro de cordada
  • Dê coragem à mulher acostumada ao menosprezo e poder a ela.

 

Fui inspirada a escrever este artigo pelos homens que fazem parte da minha caminhada ao cume:

*Meu segue que com suas palavras de ânimo e força, me incentiva a conquistar meu projeto;

*Meu mestre por me dar uma oportunidade no começo e me ensinar tudo o que sei;

*O conquistador que aceitou me ensinar a conquistar por acreditar nas mulheres;

*Meu treinador no muro, pelos treinos maravilhosos e por não diferenciar homens e mulheres;

* Todos e cada um dos meus amigos de cordada, que fazem a maioria das histórias na rocha um momento mágico.


(*na foto: Marcão, Duca, Císero, Sucrilhos e eu)

Boas escaladas para todos nós..!!!

A queda, e o erro, como aprendizado

Sou praticante de escalada em rocha e montanhismo, um esporte radical. Quando decidi praticar, assumi o risco que faz parte da prática e a responsabilidade de aprender suas técnicas de segurança. A final, cair faz parte. Machucar-se faz parte (pelo menos um pouco).

quedaDailaUm amigo recentemente me disse que os roxos e golpes de alguma maneira são marcas de guerra, de batalhas conquistadas, e de experiência. Fazem parte do nosso currículo como escaladores e sentimos orgulho deles.

Porém, não gosto de cair.

A queda é um momento de incerteza, não sabemos que acontecerá conosco. É um momento no vazio, seguido de um impacto. Existem técnicas para amortecer a batida, e minimizar a dor do golpe.

De qualquer maneira a queda dói como derrota, como erro. É uma pancada no ego.

No entanto, se não sofrermos quedas, não evoluímos. Estaríamos escalando sempre bem abaixo de nosso limite. Nosso ego, muitas vezes nosso pior inimigo, fica na zona de conforto onde se sente seguro, e nos mente que estamos escalando bem.

A realidade é que, sem a queda, evitando o erro, estamos nos mentindo e não vamos aprender nada novo. Não iremos adquirir conhecimento novo. Sem o risco, sem a ousadia da coragem para sair do “conforto”, não há melhora possível.

No último final de semana voltei de escalar  num setor em Nova Petrópolis, RS, com vários roxos e cortes nas pernas por ter começado uma técnica nova. Desta vez sem medo dos pêndulos e quedas, orgulhosa das minhas pernas de guerreira.

O que não lhe dizem sobre iniciar um negócio de Coaching

clientes
“Como desenhar a vida dos seus sonhos!”
“Os ingredientes mágicos para lotar a sua agenda de clientes pagos!”
“Seja um coach de suceso!”

Você já leu essas frases? Você assinou numa página de Coaching para entender mais do assunto e recebeu ofertas tentadoras para começar uma carreira independente, bem sucedida e gratificante, ajudando os outros?

Eu realmente acredito no poder do Coaching. Há uma razão pela qual investi milhares de reais em diversos treinamentos de desenvolvimento humano. Os Coaches fazem um bom trabalho e podem mudar vidas.

Porém,

Coaching é uma HABILIDADE que se aprende, como o desenho gráfico, ou ensinar, ou palestrar.

Não é um negócio em si.

Vejo pessoas desistirem de bons empregos e deixarem de lado boas habilidades porque decidiram que querem iniciar um negócio de Life Coaching para ajudar outras pessoas a realizarem seus sonhos.

Então lutam para conseguir clientes, já que ninguém sabe o que diabos os Coaches estão falando quando explicam às pessoas o que faz um Life Coach (porque falam em conceitos de alto nível, quando a maioria de nós aqui em baixo estamos apenas tentando descobrir como resolver nossos problemas). E alguém está nos alimentando com a idéia de que, se você é apaixonado por alguma coisa, você pode transformá-la em um negócio. Que se você apenas acredita no poder do seu sonho, você pode fazer qualquer coisa que você quiser.

O que eles não lhe dizem na escola de Coaching? É que Life Coaching é MUITO MUITO difícil de vender.

Carreer-Life-CoachingPor quê? Porque são Coaches generalizados. A coisa mais importante que os Life Coaches  precisam entender é que o Coaching é uma habilidade que irão usar, combinando-a com a outra experiência, para ajudar a resolver um problema em particular.

Se você não tem um nicho e está oferecendo resultados vagos e intangíveis, você vai ter dificuldade em encontrar e manter clientes para pagar suas contas. Qualquer habilidade tangível é 10.000 vezes mais fácil de oferecer e vender que o Coaching. Por isso, sugiro que não abra mão de suas habilidades existentes ou seu trabalho  para se tornar um Life Coach. Se você quiser fazer do seu trabalho de Coaching um negócio, vai precisar de todos os seus outros conhecimentos, experiência e habilidades para conduzir seu negócio. 

A verdade é que as pessoas contrataram você por causa do que você já realizou. Sua história é importante. Suas habilidades e conhecimentos são muito importantes. O Coaching não é dizer às pessoas o que fazer, mas às vezes as pessoas vão precisar de orientação, aconselhamento e uma mão.

Você não precisa treinar outros Coaches ou negócios para fazer o seu negócio funcionar. Porém, precisa entender que o Life Coaching em si não é o negócio.

Aqui está o que você pode fazer para tornar seu negócio de Life Coaching MELHOR:

  • Seja específico sobre o cliente para quem você trabalha e qual é o problema que vai  resolver para ele.
  • Aprenda a falar na linguagem cotidiana.
  • Seja específico sobre os pacotes e duração do processo.
  • Crie UM  pacote específico para um mercado específico (com base na sua experiência) e seja REALMENTE bom com ele.
  • Construa uma sólida base de clientes, e DEPOIS se expanda.

Você pode e vai construir um negócio que sustente você, mas vai levar tempo.

 

Com tempo para tudo, sem tempo para nada

3 PASSOS SIMPLES PARA VIVER COM A AGENDA CHEIA E TEMPO PARA LAZERo_tempo

“Não tenho tempo”. Esta frase lhe parece familiar?

Você chega ao final do dia com o sentimento de querer ter feito mais, mas não teve tempo suficiente? Chega no fim do ano com o sentimento de frustração por não ter feito aquele curso? Aquela viagem?

A ideia de organizar meu tempo, a partir dos meus próprios parâmetros, surgiu quando um cliente me contou que desejava ter mais tempo para poder estudar Inglês, algo muito importante naquele momento para sua carreira, mas que não tinha tempo para dedicar-se.

Lembrei dos meus momentos de ansiedade e frustração pela falta de tempo para treinar e evoluir no esporte que pratico. Como vou melhorar se não treino o suficiente? Pensava.

Como trabalhar, treinar, estudar, cuidar do meu filho e ter tempo para assistir um filme ou ler um livro?

A resposta é simples: organizar-se!

 

  • Agenda: escreva na sua agenda todas as suas atividades diárias

É fundamental visualizar quais são todas as suas atividades realizadas no dia. Aquelas relacionadas ao trabalho, ao esporte, e também as mais básicas como comer, cuidar da casa e a leitura de um livro antes de dormir.

Muitas vezes não temos consciência de tudo o que fazemos, já que em muitos casos são hábitos automáticos ou atividades perfeitamente delegáveis que nos levam a estancar na nossa zona de conforto.

 

  • Objetivo: ter claros os objetivos diários, semanais, mensais e anuais

Cada área da vida tem um objetivo a curto, meio e longo prazo. Sabemos quais são? Onde quero chegar profissionalmente este ano? Qual é meu objetivo esportivo? Como quero melhorar a minha saúde? Onde serão minhas próximas férias?

Escreva seus objetivos para este mês, ano e até mesmo para os próximos dois anos. Visualize em palavras ou imagens que deixem claro o caminho em todas as áreas que temos: o carro que desejo, a praia que quero conhecer, o trabalho que quero realizar, etc.

 

  • Prioridades: reorganize sua agenda a partir dos seus objetivos!

Atividades diárias que estejam diretamente relacionadas aos nossos objetivos devem ocupar a maior parte da agenda. São elas que nos ajudam a manter o foco e nos darão aquela sensação de satisfação e de tempo bem aproveitado.

Visualizar aquelas que são secundárias ou delegáveis: prestar atenção em quanto tempo levamos procrastinando com aquelas que não são tão relevantes deixando de lado aquelas que realmente importam. Quanto tempo dedicamos às redes sociais ou a tv?

Destacar com honestidade em quais atividades temos desperdiçado nosso tempo, aquelas que nos afastam dos nossos objetivos.

Olhe para sua agenda ao começar cada semana, reorganizando e modificando o quer for necessário para te aproximar das metas definidas.

Um dia priorizando as atividades que nos aproximam a um trabalho melhor, ao treino desejado, ao tempo qualitativo com nossos filhos e às férias sonhadas, nos deixa a sensação de dever cumprido e a motivação para trazer novas metas possíveis.

Comecei o ano 2015 de agenda reorganizada. Segundas e quartas feiras de manhã são dedicadas completamente ao treino, terças e quintas antes de sair para meu primer cliente, tem uma hora de ioga. Horas que são compensadas maximizando meu trabalho até mais tarde. Resultado? Uma clara evolução na prática esportiva nos finais de semana, satisfação do feito até agora e a certeza de que as metas até fim do ano serão atingidas.

TimeManagementWEBNão tinha tempo para estudar Inglês? Agora que acorda mais cedo, almoça mais rápido e passa menos tempo no Facebook, consegue se comunicar bem na nova língua e a possibilidade de um novo trabalho não é só possível, mas é real.

Viaje à Chicago a semana que vem.

 

O que o montanhismo pode nos ensinar sobre como organizar nossa vida

 

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Quando pensamos em montanhismo, tendemos a pensar no Everest e grandes grupos de pessoas caminhando em largas filas. Grande quantidade de abastecimentos e equipamento. Milhares de metros na montanha que ajuda aos montanhistas alcançar o cume. Por muito tempo achamos que esta era a melhor forma de escalar uma montanha.

Hoje há um modo diferente:

  • Primeiro colete todo o que tenha certeza que vai precisar
  • Em seguida, remova um item de cada vez até chegar ao que você pode carregar

Este método se chama “estilo Alpino. Escaladores de estilo alpino focam apenas no que é necessário para alcançar seu objetivo, e continuamente questionando a definição de necessário.

A aprendizagem sobre o estilo de escalda alpina me ajudou a ver a diferença no que achamos que precisamos e o que realmente precisamos: questões que são geralmente coisas muito diferentes. Ficando clara a distinção nos permite largar a obsessão a ter mais coisas, para nos concentrar em desfrutar a experiência.

E me pergunto como uma vida estilo alpina poderia ser. Viver neste estilo requer nos questionar a nossa ideia do que é necessário. De fato quando foco em me desfazer do que não preciso, desfruto mais da vida.

Steve House, um dos melhores montanhistas neste estilo, disse: “Quanto mais simples você fazer as coisas, mais rica a experiência torna-se”.

O que é menos coisas, como queira você defini-lo, significa para nossas vidas? Quando focalizamos no “porquê” forjamos um caminho que nos levará para onde realmente queremos ir ao invés de perseguir a meta de outra pessoa.

Todo isto me lembra de uma experiência no Cerro Catedral, na patagônia Argentina, onde eu e uma amiga chegamos até o refúgio com todas as intenções e equipamento para escalar vários dias. Por causa do cansaço e o clima, tivemos que descer para a cidade sem quase conseguir escalar em rocha na montanha. Num primeiro momento pode parecer frustrante, mas a experiência de subir uma montanha com quem não tinha experimentado essa aventura, me ensinou muito, desfrutamos muito do trekking e aprendemos demais para futuras aventuras. O foco de escalar nas paredes da montanha foi ajustado para um muito mais simples: simplesmente curtir a experiência.

Talvez como chegamos a algum lugar importe tanto como se chegamos no lugar. Podemos nos desencorajar com muitas coisas. Até poderíamos nos convencer que precisamos de tudo isso. Ou poderíamos recuar por um instante e nos perguntar, “Realmente precisamos de tudo isso?”.

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